JOSÉ MANOEL ALVES E O HINO DA UMBANDA

Diamantino Fernandes Trindade

No primeiro volume do livro História da Umbanda no Brasil, escrevi sobre os aspectos históricos do Hino da Umbanda e sobre o autor de sua letra: João Manoel Alves.
Alguns registros, não comprovados, da época diziam que ele em busca da cura, para sua cegueira, foi procurar a ajuda do Caboclo das Sete Encruzilhadas. Não conseguindo a cura, por ser o seu problema de origem cármica, escreveu a letra do Hino da Umbanda para mostrar que poderia ver, a partir do seu contato com a Umbanda, o mundo e a religião de outra maneira. Até hoje ninguém comprovou esta história e, também as fotos que temos dele não mostram que ele era cego. Havendo a comprovação dessa história, faremos as devidas correções históricas.

José Manoel Alves, compositor e instrumentista nasceu em Tangil, Freguesia do Concelho de Monção situada no Minho, no norte de Portugal. Dos 12 aos 22 anos tocou clarineta na Banda Tangilense, em sua terra natal. Em 1929, veio para o Brasil, indo residir no interior do Estado de São Paulo. No mesmo ano, mudou-se para a capital paulista, ingressando na Banda da Força Pública, em que ocupou vários postos, aposentando-se como capitão. Foi autor de diversas músicas populares e pontos de Umbanda. O seu maior sucesso, em parceria com Mário Zan, foi o dobrado Quarto Centenário.

A maravilhosa letra do Hino da Umbanda, escrita por José Manoel Alves, foi musicada por Dalmo da Trindade Reis, maestro tenente do Grande Conjunto da Policia Militar do Rio de Janeiro.
No Segundo Congresso Nacional de Umbanda, em 1961 no Rio de Janeiro, a música foi oficialmente reconhecida como o Hino da Umbanda. Originalmente tinha como título: “Refletiu a Luz Divina”, sendo cantada nos Terreiros como um ponto comum.

Dirce Alves, na sua coluna Umbanda e Candomblé, publicada no Diário do Paraná, escreveu duas vezes sobre ele e sobre o Hino da Umbanda. Na primeira matéria, Dirce Alves ainda não conhecia a autoria do Hino.

HINO DA UMBANDA

Dirce Alves

Diário do Paraná, n. 5038, 25 de abril de 1972

O Hino da Umbanda, executado domingo pela primeira vez por uma banda de música, por ocasião do encerramento do I Congresso de Umbanda do Paraná, não tem autor conhecido. Antigo, o maestro da Banda da PMEP, capitão Acyr Tedeschi teve que se valer, para o arranjo, de um antigo disco 78 rotações.
Embora sua melodia seja conhecida por quase todos os que frequentam os trabalhos de terreiro do Brasil, a execução desse Hino por uma banda de música, não deixou de sensibilizar os quase cinco mil presentes ao Ginásio de Desportos do Tarumã, que aplaudiram a execução, de pé, enquanto cantavam a letra.
O Hino da Umbanda, composto de quatro estrofes com quatro versos cada, é uma composição poética denominada de Redondilha Maior (sete pés poéticos).

HINO DA UMBANDA

Dirce Alves

Diário do Paraná, n. 7027, 24 de outubro de 1978

Poucas pessoas sabem quem é José Manoel Alves. É compositor, clarinetista e já fez muita música. Está com 67 anos e começou a compor em 1938, quando lançou a marcha carnavalesca “Olha a Alva”. De lá até 1978 já se passaram 40 anos e 100 músicas populares foram gravadas.
Mas o grande sucesso de José Manoel Alves foi em 1954 quando gravou o Hino do IV Centenário de São Paulo, em parceria com Mario Zan, que vendeu dois milhões de discos. Em 1962 o segundo sucesso foi o Hino da Umbanda para o Segundo Congresso Nacional de Umbanda. Com o cantor Araripe Barbosa e a orquestra de Hélcio Alvares e o Coral de Eloá. José Manoel Alves lançava, em 1962, o hino que hoje é cantado por milhões de umbandistas em todo o Brasil.

Vejamos agora alguns dados colhidos no site http://www.dicionariompb.com.br

Sua primeira composição gravada foi “Olha a alva”, por Januário Pescuma e Arnaldo Pescuma com acompanhamento do Grupo X na RCA Victor. Em 1945, Osni Silva gravou na Continental, com acompanhamento da Banda da Força Pública de São Paulo, a marcha “Pela Pátria”, composta em parceria com Antônio Romeu. Citamos outras de suas composições: em 1957, realizou sua única gravação, acompanhado de sua Banda: gravou pela RCA Victor, de sua autoria, os dobrados “Craveiro Lopes” e “Domingo em festa”. No mesmo ano, Zaccarias e sua Orquestra gravaram dele e Mário Zan o dobrado “Quarto Centenário”, seu maior sucesso. Ao longo de sua carreira, compôs diversos pontos de Umbanda e pontos de terreiro, gravados por diversos intérpretes. Em 1961, Otávio de Barros gravou o ponto de terreiro “Saravá Banda”. Em 1962, a cantora Maria do Carmo gravou a curimba de Umbanda “Prece a Mamãe Oxum”. Outras melodias umbandistas foram compostas por ele: “Saravá Oxóssi”; “Saudação aos Orixás”; “Xangô rolou a pedra” e “Xangô, rei da pedreira”.

Na fotos a seguir não é possível garantir que José Manoel Alves era cego. Podia no máximo ter alguma deficiência visual. A primeira foto foi registrada no Primado Do Brasil. Apresentamos também a partitura do Hino escrita pelo Maestro Dalmo da Trindade Reis, em 1984.

46ª Festa Vamos Sarava Ogum

Publicado por Alex Andreotti em Quarta, 10 de maio de 2017

DEFUMAÇÃO: PROCEDIMENTOS, TIPOS E PROPÓSITOS

INTRODUÇÃO

A defumação é um ritual muito frequente em casas de Umbanda e Candomblé. Na Umbanda ela foi trazida pelo caboclo das sete encruzilhadas quando fundou a religião e segue até hoje em quase 100% dos terreiros, todavia, a defumação é utilizada antes mesmo da criação da Umbanda, não é algo criada por ela, mas ela considera este fundamento em sua doutrina.

A defumação pode ser usada em diversas ocasiões: abertura e fechamento de giras, limpeza de residência e imóveis comerciais, limpeza de pessoas, etc.

OBJETIVO DA DEFUMAÇÃO

A defumação pode ter vários objetivos, entre eles: limpeza física e espiritual, limpeza de ambientes, prosperidade, proteção, descarrego de fluidos espirituais negativos, fortalecimento, etc.

QUEM PODE FAZER A DEFUMAÇÃO?

Embora qualquer pessoa possa fazer uma defumação, nos terreiros geralmente isso é feito pelos dirigentes ou médium a cargo dos mesmos, alguém destinado a este rito. Costumamos dizer que Deus nos fez imagem e semelhança dele, então o que dá poder a uma defumação não é o cargo que ela tem, mas o fundamento, a fé a o conhecimento sobre o preparo, ou seja, é questionável a ideia de que apenas um dirigente de santo pode fazer uma defumação.

DEFUMAÇÃO NO TERREIRO

A defumação nos terreiros geralmente é feira através do “Turíbulo” (objeto prateado acima). Nele colocamos carvão e algum elemento combustor (álcool, óleo, papel, etc), uma vez que estiver acesso, começa o rito de defumação.

A defumação é feita com uma combinação de ervas específicas de acordo com o objetivo proposto. Quando ela é feita na Umbanda, geralmente acompanham-se pontos cantados de defumação. Cada casa pode estabelecer uma ordem para iniciar a defumação. Geralmente defumamos o Congá, os cantos, o centro, os médiuns, os atabaques e a assistência. Na dúvida sobre como proceder com a defumação no seu terreiro, procure o seu pai de santo ou orientação do seu guia espiritual.

EXEMPLOS DE ERVAS E MISTURAS PARA DEFUMAÇÃO

Cada casa tem a sua doutrina e cada guia espiritual o seu mistério, na dúvida sobre algum procedimento, sempre procure o pai de santo de sua confiança. Abaixo alguns exemplos de ervas e elementos que podem ser usadas isoladamente ou em conjunto para defumação:

Sal grosso: Descarrego.
Arruda: Descarrego, proteção.
Mirra: Atrai contato com bons espíritos, fortalece a humildade.
Alecrim: Atrai bons sentimentos, cria atmosfera positiva.
Alfazema: Equilibra o ambiente.
Café (Grãos, folhas secas, pó, etc): Atrai força e resistência.
Canela e Cravo da índia: Atrai a prosperidade, aumenta o magnetismo pessoal, a autoestima, etc.
Guiné: Proteção e energização.
Pó de dandá da costa e anis estrelado: Aumenta a intuição.
Beijoim: Aumenta a espiritualidade, a intuição, cria uma atmosfera propícia a trabalhos espirituais.

DEFUMAÇÃO EM CUBO

A defumação em cubo é aquela que já vem com as ervas trituradas e acopladas em forma de cubo. Ela não é indicada para substituir uma defumação tradicional em turíbulo uma vez que não sabemos a procedência do que de fato contém os cubos. Não sabemos por exemplo que ervas e elementos foram usados para o que se propõe nos rótulos. Em todo caso, como o poder do objeto espiritual leva em consideração a força da consagração, em muitas emergências eu mesmo só tinha a mãos este tipo de defumador. Ele é mais indicado para atuar como uma espécie de “incenso” de longa duração.

DEFUMAÇÃO EM CASA

É muito indicado de tempos em tempos fazermos uma defumação em casa. Seja para limpeza, proteção ou descarrego. Geralmente fazemos de dentro para fora (para limpeza) e de fora para dentro (quando o objetivo for trazer prosperidade por exemplo). Preces, pontos cantados podem ser inclusos para potencializar o rito.

DEFUMAÇÃO EM IMÓVEL COMERCIAL

A defumação em imóvel comercial geralmente é feita para atrair clientes, afastar inveja e olho gordo. Tal como na defumação doméstica e do lar, se o objetivo for limpeza, fazemos de dentro para fora. Já se o objetivo for atrair alguma coisa, fazemos de fora para dentro. Dependendo da gravidade do caso, tanto na defumação do terreiro, quanto das casas quanto dos comércios, podem haver solicitações de sacudimento de ervas, mas este é um assunto que trataremos em outro texto.

PONTOS DE DEFUMAÇÃO

Ogum mandou defumar,
Ogum mandou defumar,
Ogum mandou defumar,
Filhos de fé vamos defumar

Ogum mandou defumar,
Ogum mandou defumar,
Ogum mandou defumar,
Filhos de fé vamos defumar

_________________________

Ele é rezador, ele vai defumar
Ele reza seus filhos e o mau vai levar

Ele é rezador, ele vai defumar
Ele reza seus filhos e o mau vai levar

_________________________

Defuma com as ervas da Jurema
Defuma com Arruda e Guiné,
Com Beijoim, Alecrim e Alfazema
Vamos defumar filhos de fé.

Defuma com as ervas da Jurema
Defuma com Arruda e Guiné,
Com Beijoim, Alecrim e Alfazema
Vamos defumar filhos de fé.

OUTROS PONTOS

1. PONTO DE FIRMEZA PAI DE CABEÇA

Sarava, sarava, sarava
Esses filhos de pemba
Que fica de pé no congá
Sarava, sarava Oxalá
Se ele é pai de cabeça
Não deixa seus filhos tomba
Lua, oh lua
Ilumina o terreiro
Que o pai de cabeça chegou
Lua, oh lua
Que já deu minha hora
Meu galo de pemba cantou

2. PONTO DE FIRMAÇÃO DE TERREIRO

Essa casa tem quatro cantos
Cada canto tem seu santo
Onde mora o cálice bento
E o divino espírito santo
Zum, zum, zum
Olha lá Jesus quem é
Eu juro por Deus e as almas
Inimigo cai, eu fico em pé

3. PONTO DE ABERTURA

Vou abrir minha jurema
Vou abrir meu Juremá
Santo Antonio é de Ouro Fino
Arreia a bandeira e vamos trabalhar

PONTOS DE PRETO VELHO

1-PAI ANTÔNIO

Dá licença Pai Antônio Que eu não vim lhe visitar
Eu estou muito doente Vim pra você me curar
Se a doença for feitiço Bulalá em seu congá
Se a doença For de Deus ai
Pai Antônio vai curar
Coitado de Pai Antônio
Preto Velho curador
Foi parar na detenção ai
Por não ter um defensor Pai Antônio é quimbanda, é curandor
Pai Antônio é quimbanda, é curandor É pai de mesa, é curandor
É pai de mesa, é curandor

2- PAI CIPRIANO

Bate tambor na Umbanda
Pra ver meu velho chegar
Ele é Pai Cipriano, ele é pai Cipriano
Mensageiro de Oxalá.

3-PAI CIPRIANO

Cipriano quimbandeiro, chorou no cativeiro
Hoje chora de alegria seu rosario de Maria
Chora, chora, saravando Angola (bis)

4-PAI CIPRIANO

Ele é Pai Cipriano, ele é Pai Cipriano
É um velho mandingueiro
Não tem medo de macumba,
não tem medo de quiumba
É um velho feiticeiro
Com a sua pemba na mão ela desafia
Com seu cachimbo na boca ele assobia

5-PAI CIPRIANO

Feitiço, mandinga, quebranto só ele sabe rezar
Sua bengala e seu cachimbo servem para trabalhar
Pai Cipriano das almas é um velho mandingueiro
Quando chega na Umbanda
Encruza todo o terreiro,
Ele é velho rezador com seu patuá de valia
Por Deus e Nossa Senhora, nos tira da agonia (bis)

6-PAI CIPRIANO

No cantinho de Pai Cipriano o caminho é da paz (bis)
Arrasto o toco, pega o toco e bota lá
Saravá Pai Cipriano que chegou nesse conga (bis)
Ele vai firmar, meu pai, ele vai firmar
Os quatro cantos desta casa
Com Ogum para guardar (bis)

7- PAI CIPRIANO

Segura com fé na mão de Cipriano
Pra colher flores ou espinhos retirar,
Ele nos traz a luz divina de Aruanda
O brilho da estrela guia a benção de Oxalá
Se o caminho é de paz, Cipriano é amor
Segura com fé na mão do meu vovô

8- MARIA CONGA

Todo dia era dia de choro e de muita dor
Mesmo assim uma escrava chegava de bom humor
Quem chorava passava a sorrir
Quem caia ficava de pé
Ela era a esperança o amor e a fé
Na passagem de um mundo pro outro seu povo sentiu
E aquela doçura e alegria não mais existiu
Ela disse que ia voltar precisando pode lhe chamar
Pra Aruanda o tambor pode tocar
Conga, Vó Maria Conga
Que saudades de você
Preta velha feiticeira rainha do Cateretê

9- VOVÓ ANA

Ela é vovó Anna, ela é do cruzeiro (bis)
Ela vem sarava, ela vem curiar nesse terreiro (bis)
Ela é de Nanã, é de Boruquê (bis)
Ela vem sarava, ela vem curiar pra ajudar você (bis)

10- VOVÓ ANA

Vovó Anna vem da praia no barquinho de Iemanjá
Ela vem firmar seu ponto pela fé de Oxalá
Oi tem areia oi, oi tem areia
na barra de sua saia tem areia. (bis)

11- PAI MANÉ

O senhor do Bonfim mandou, preto velho na banda
Ele vem da Bahia com seu rosário e seu patuá,
Ele vem trabalhar pra você (bis)
Pai Mané na banda agora é que eu quero ver.

12-CAMBINDA

Arriou na linha das almas
É Cambinda de fé oi babá (bis)
Velha feiticeira lá da Guiné,
Vem de muito longe pra curar filhos de fé. (bis)

13-PAI MIGUEL
Com sua balança que pesa
O bem o e mal que o filho faz (bis)
Ele é Pai Miguel, ele é Pai Miguel
Ele é Pai Miguel das Almas (bis)
Balança, como pesa a balança,
Balança como vai pesar (bis)
Com o amor de Xangô e a justiça na mão
Pai Miguel vem na umbanda salvar.

14- MARIA CONGA

Maria Conga, com suas folhas de guiné
Seu galhinho de arruda, o seu vence demandas,
Deixa o manacá em flor (bis)
Vem lá das matas, trabalhar com muito amor
Nesta Umbanda querida vem prestar a caridade
Para a Glória do Senhor (bis)

15-TIA MARIA

Liberdade ainda que tardia
assim rezava na senzala Tia Maria (bis)
Salve o triângulo divino salve o seu ponto riscado
Saravá Minas Gerais
Tia Maria de Minas chorando em oração
pedia a Zambi o fim da escravidão

16- PAI JOAQUIM

Chorar, chorar chorei
Cantar, cantar, cantei (bis)
Pai Joaquim senta no toco
filho de pemba não bambeia
procurei nos quatro cantos só pra ver se tem areia (bis)

17- PAI MANÉ

Pai Mané, é de Angola é (4x)
Ele vem de longe caminhando de mansinho
Pra ajudar seus filhos que procuram seu carinho (bis)

18-PAI BENGUELA

Vem das costas da Africa,
Pai Benguela vem trabalhar,
Vem das costas da Africa
No barquinho de Iemanjá (bis)
Vem firmar seu ponto na areia de Oxalá
Para sarava os seus filhos no conga (bis)

19-VOVÓ JOANA

Vem, vem, vem, quem vem no redemoinho (bis)
É vovó Joana que vem pitando seu cachimbo (bis)
Vem defumar os filinhos atendendo a Iemanjá
Tirando toda mandinga, levando pro fundo do mar (bis)

20-PONTO DE PRETO VELHO

Eu vi velho do rio sentado na pedra fria,
com o seu rosário rezando Ave Maria (bis)
Que susto eu tive, quando avistei
Aquele velho sábio me apaixonei (bis)

21-PAI FABRÍCIO

Meu Pai Fabrício, na Umbanda é curador
Vem pro terreiro abençoar nosso conga
Oi viva as almas viva a Deus viva a meu Pai,
Quem caminha com esse velho só balança mas não cai (bis)

22-PONTO DE PRETO VELHO

Meu Santo Antônio pequenino
Olha esse mundo como está
Quem me abraçava antigamente
Hoje quer me apunhalar
Olha seu cordão preto,
Meu Santo Antônio
Eu também sou filho seu
Afastai meus inimigos,
Meu Santo Antônio
Pelo santo amor de Deus

23-PONTO DE PRETA VELHA

Ah! Vovó das almas, não me deixe andar sozinho
Toma conta dos inimigos, abre os meus caminhos
Se eu sou filho de Omulú, meu Pai, Meu Pai é Santo
Santo do Meu Axé, Santo do meu encanto

24-CAMBINA

Cambina mamanhê, Cambina Mamãenhã
Oi segura a Cambina que eu quero ver
Filhos de Umbanda não tem querer

25-VOVÓ CAMBINDA

Vovó Cambinda tem sua guia,
Trabalha de noite e reza de dia.
Vovó Cambinda quer encruzá,
Ponto de pemba no meu “congá”

26-CAMBINDA

Agô pro Povo d’Angola,
Agô pro Povo de Mina,
Saravá as Santas Almas,
Agô pra Vovó Cambinda. (bis)

27-PONTO DE PRETA VELHA

Preta Velha que vem d’Aruanda,
Saravando atabaque e congá. (bis)
Oi Saravando seus filhos,
Na fé do Pai Oxalá. (bis)

28-PONTO DE PRETO VELHO

Eu adorei as almas, eu adorei
Eu adorei as almas
Eu adorei as almas, no dia de hoje
Eu adorei as almas
Almas, de PAI MANÉ, eu adorei
Almas, de MARIA CONGA, eu adorei
Eu adorei as almas, eu adorei
Eu adorei as almas
Eu adorei as almas, no dia de hoje
Eu adorei as almas
Almas, de VOVÓ CAMBINDA, eu adorei
Almas, de VÓ GUILHERMINA, eu adorei
Eu adorei as almas, no dia de hoje
Eu adorei as almas

29-VÓ CATARINA

Saudai essa estrela de Jesus
Ela guiou e aos seus filhos deu a mão
No terreiro de umbanda ela é a luz
Ela curou com sua vibração
A sua força vem lá do cruzeiro
A simplicidade é o que me fascina
A lágrima representa o cativeiro
Anjo de Deus, salve a velha Catarina (bis)

30-VÓ CATARINA

Oi daí-lhes forças Jesus de Nazaré
Oi daí-lhes forças para vir trabalhar (bis)
Mas dizem que a umbanda tem mironga
Se tem mironga Catarina tem congá

31-VÓ CATARINA

Ela traz a sua rosa branca
E também traz a cruz de oxalá
Ela traz a sua rosa branca
E também traz a cruz de oxalá
Salve a velha catarina, salve a velha catarina
Que chegou neste congá
Salve a velha Catarina, salve a velha Catarina
Que chegou p´ra trabalhar

32- PONTO DE PRETO VELHO

Lá vem vovó
Descendo a serra com sua sacola
É com seu patuá
É com seu rosário
Ela vem de angola
Eu quero ver vovó
Eu quero ver
Eu quero ver
Se filho de pemba tem querer (bis)

33-PAI JOAQUIM

Pai Joaquim ê ê, Pai Joaquim ê á
Pai Joaquim veio de angola
Pai Joaquim vem de angola, angolá

34- PONTO DE PRETO VELHO

Arriou na linha de congo
É congo, é congo aruê
Quem trabalha na linha de congo
Agora que eu quero ver

35-PONTO DE PRETO VELHO

Eu vi num terreiro de umbanda
Um velho a trabalhar
Ele trabalha com a pemba
Mas quem manda na pemba é oxalá

36-PONTO DE PRETO VELHO

Os quindins, os quindins,
Os quindins, ô mujongo
Olha lá no mar
Olha lá no mar, ô mujongo
Olha mujomgo no mar
Sua terra é muito longe, ô mujongo
Ninguém pode ir lá
Ninguém pode ir lá, ô mujongo
Olha mujongo no mar

37-PONTO DE PRETO VELHO

Vovô não quer
Casca de coco no terreiro (bis)
P´ra não lembrar do tempo do cativeiro (bis)

38-PONTO DE PRETA VELHA

Vovó tem sete saias
Na última saia tem mironga
Vovó vem da bahia
P´ra salvar filho de umbanda
Com seu patuá e figa de guiné
Vovó vem da bahia
P´ra salvar filho de fé

39-PONTO DE PRETO VELHO

Eu vi a mata estalando
Meu filho vá ver quem é
É a falange do congo
Que vem queimando guiné,

40-PONTO DE PRETO VELHO

Cadê a sua pemba
Cadê a sua guia
Sua terra é muito longe
Seu congá é na bahia (bis)

41-MARIA CONGA

Que baiana é aquela
Que vende na feira acarajé
E no seu balaio
Ela traz arruda ela traz guiné
Ela traz guiné é è
Ela traz guiné é é
Maria conga vem salvar filhos de fé

42-PONTO DE PRETA VELHA

Tia Maria Tia Mariana
Amarra a saia com a palha da cana
Se a palha da cana arrebenta
Preta velha você não se engana
Quê querê quê quê
Preta velha é de bom parecer

43-MARIA REDONDA

Filho se você precisar
É só pensar na vovó
Que ela vem te ajudar (bis)
É numa estrada longa, meu filho
Que você vai andar
Numa casinha branca, meu filho
A vovó está lá
Sentada num banquinho oco, meu filho
Com rosário na mão
Pensa na vovó Maria Redonda fazendo oração

44-PRETO VELHO

Eu já plantei café de meia
Eu já plantei canavial
Café de meia não dá lucro, sinhá dona
Canavial cachaça dá (bis)

45-CAMBINDA

Amarra o touro cambinda
Na porteira do mourão
O touro é bravo, cambinda
Amarra no portão

46-MARIA CONGA

Maria Conga!
O que é que você quer? (bis)
Quero pemba, quero guia,
Quero folha de guiné. (bis)

47-PONTO DE PRETO VELHO

Se não fosse as minhas almas
Meu cruzeiro se queimava (bis)
Ai ai ai meu cruzeiro se queimava (bis)
Se não fosse Pai Mané,
Meu cruzeiro se queimava
Se não fosse Maria Conga,
Meu cruzeiro se queimava
Se não fosse Guilhermina,
Meu cruzeiro se queimava
Se não fosse Vó Catarina,
Meu cruzeiro se queimava
Se não fosse Vovó Cambinda,
Meu cruzeiro se queimava
Ai ai ai meu cruzeiro se queimava (bis)

48-PONTO DE PRETA VELHA

Um galhinho de arruda
A vovó me deu
Um galhinho de arruda
Pra me proteger
Eu agradeço a essa linda Preta Velha
Um galhinho de arruda
Ela me ofereceu
Eu agradeço a essa linda Preta Velha
Pois em suas orações
Ela nunca me esqueceu

49-PONTO DE PRETA VELHA

A fumaça do cachimbo da vovó
Sobe bem alto
Só não ver quem não quer
O cachimbo da vovó tem mironga
Na barra da saia, Na sola do pé

50-PONTO DE PRETO VELHO

Pisei na pemba
A pemba balanceou
O mundo estava torto
Santo Antônio endireitou

51-PONTO DE PRETO VELHO

Meu Santo Antônio pequenino
Corre Umbanda devagar
Meu Santo Antônio pequenino
Corre Umbanda sem parar

52-PONTO DE PRETO VELHO

O Santo é que está de ronda
O meu Santo Antônio Aruandá
Na Aruandê,na Aruandê, na Aruandá
Santo Antônio na linha de Umbanda
É Ogum,
É o meu protetor
Santo Antônio é quem é meu padrinho
Neste mundo de Nosso Senhor

53- -PONTO DE PRETO VELHO

Meu Pai Antonio pequenininho,
mas não me deixa andar sozinho (bis)
Arreia Pai Antonio Clareia Meus caminhos (bis)

54- PONTO DE PRETO VELHO

Meu cachimbo está no toco
Manda moleque buscar (bis)
No alto da derrubada
Meu cachimbo ficou lá (bis)
Que arruda tão bonita
Que Vovó mandou arrancar (bis)
Mas não chore meu netinho
Que Vovó manda plantar (bis)

55- -PONTO DE PRETO VELHO

Guilhermina cadê Catarina?
Foi lá no mato apanhar guiné
Diga a ela quando vier
Que suba as escadas
E não bata o pé

56- -PONTO DE PRETO VELHO

Nessa casa tem quatro cantos
Cada canto tem um santo
Pai e filho, Espirito Santo
Nessa casa tem quatro cantos
Zum zum zum

57- -PONTO DE PRETO VELHO

Olha só Jesus quem é
Eu rezo para santas almas
Inimigo cai e eu fico de pé

58- -PONTO DE PRETO VELHO

O preto por ser preto
Não merece ingratidão
O preto fica branco
Na outra encarnação
No tempo da escravidão
Como o senhor me batia
Eu chamava por Nossa Senhora, Meu Deus!
Como as pancadas doíam

59- VOVÓ CAMBINA

Cambina mamanhê
Cambina mamãenhã
Oi segura a Cambina que eu quero ver
Filhos de Umbanda não tem querer

60-CAMBINA

O Povo de Cambina
oi quando vem pra trabalhar
Todo o povo vem por terra
Cambinda vem pelo mar
Todo o povo vem por terra
Cambina vem pelo mar

61-REI CONGO

Rei Congo, Rei Congo
Cadê preto-velho?
Foi trabalhar na linha de Congo
É Congo, é Congo, é Congo
é de Congo, é de Congo aruêe
É Congo, é Congo, é Congo
Agora que eu quero ver…

62- PONTO DE PRETO VELHO

Tira o cipó do caminho, oi criança
Deixa a vovó atravessar
Eles vem chegando
São os preto velhos que vem trabalhar (bis)

63- -PONTO DE PRETO VELHO

Preto velho senta no toco
Faz o sinal da cruz
Pede proteção a Zambi
Para os filhos de Jesus
Cada conta do seu rosário
É um filho que ali está
Se não fosse os pretos velhos não sabia caminhar

64- PONTO DE PRETO VELHO

Preto velho nunca foi a cidade, oh cidade.
Fala na língua de zambi, oh cidade!
Preto velho nunca foi a cidade, oh cidade,
Fala na língua de zambi, oh cidade!

65-VOVÓ CAMBINDA

Pai Mané escreveu uma carta
Pra Vovó Cambinda ler
Não tinha papel nem tinta como é que ia fazer
Escreveu na areia (bis)
Ela é Cambinda firma ponto e não bambeia (bis)

66-PAI JOSÉ

Vó Cambinda, cadê Pai José
Está lá na roça colhendo café
Diz a ele que quando vier
Que suba a escada, não bata com pé

67-MARIA CONGA

Olhei pro céu vi uma estrela brilhando
Lá na pedreira eu vi pedra rolar
E os caboclos brincavam lá na aldeia
Uma sereia eu ouvi cantar no mar (bis)
E no seu canto ela me dizia
Que só queria ter asas para voar
Pra ir ao céu buscar a estrela que brilha
Maria conga enfeita nosso conga (bis)

68-PONTO DE PRETO VELHO

Que fumaça cheirosa vovó
Sai do seu cachimbo
Não sei se é arruda, vovó, ou manjericão
Só sei que essa fumaça vovó
Faz bem pro meu coração

69-PONTO DE PRETO VELHO

Eu andava perambulando
Sem ter nada pra comer
Eu pedi às Santas Almas para vir me socorrer
Foi as almas quem me ajudou, foi as almas que me ajudou
Meu divino Espírito Santo, viva a Deus, nosso Senhor.

70-PONTO DE PRETO VELHO

Pam, Pam, Pam
Bateram na porta do céu
Pam, Pam, Pam
São Pedro abril pra ver quem é
Mas eram as almas Santas benditas
Que se pesaram na balança de Miguel.

71- PONTO DE PRETO VELHO

Foi, foi Oxalá, que mandou eu pedir
Que mandou implorar
Que as Santas Almas viessem me ajudar
Que eu fosse na calunga de joelho a implorar.

72- PONTO DE PRETO VELHO

Santo Antonio de Pemba,
Segura a curimba, segura o conga
Eu sou filho de Pemba
Não posso cair, e não posso tombar
Oi, como caminhou, meu pai, mas como caminhou
Santo Antonio de Pemba como caminhou

73- MALAQUIAS

Valei-me meu São Benedito
Saravá a sua coroa
Saravá meu Senhor do Bonfim
Meu senhor Malaquias
Saravá todo povo da Bahia

74-PAI MANÉ

Ele é pai de cabeça,
É o chefe do nosso conga
O vento que balança as águas na Bahia
Deixa o Pai Mané aqui passar
Hoje é dia de festa no terreiro do meu pai,
Sarava Pai Mané que ele é o nosso pai
Embala eu babá, embala eu
Embala eu babá, embala eu
Embala eu babá, embala eu
Embala eu babá, embala eu

75- PONTO DE PRETO VELHO

Eu fui na Bahia fazer uma promessa ao Senhor do Bonfim
Eu seguirei a minha banda até o fim
Me ajuda me dê paz e saúde, ó Senhor do Bonfim

76-PAI MANÉ

Pai, Pai Mané, nunca nos abandone
Toma conta do seu terreiro, toma conta do seu conga
Foi com almas, com as almas que eu conheci a macumba
Com as almas que eu conheci ………

77-CAMBINDA

No terreiro tem uma velha
Que não pode mais andar
Ela vai fazer macumba até o dia clarear
Dandá vovò
Segura o toro cambinda amarra no moira
Meu santo Antonio é paquenino, abra a porta do céu
Cambinda velha estremeceu, mas não saiu do moira
Bahia ô áfrica vem cá vem nos ajudar
Força baiana, força áfrica força divina vem cá
O barquinho de São Salvador
Chegou na Bahia todo carregado
Trouxe cravo, trouxe rosa
E a Vovó Rita que vinha do lado
Filho de fé vai esperar, esperar vovó
Chora meu cativeiro, meu cativero, meu cativerá
Quando batia 6 horas preta velha batia tambor
Ela ia pra sua urucaia saravá pai oxosse sarava pai xango
Chora meu cativeiro, meu cativero, meu cativerá
No tempo da escravidão cozinhava pra ela só
Preta velha não quer que eu coma
Abóbora, maxixe, quiabo e giló
Abóbora, maxixe, quiabo e giló
Desata o nó
Do caminho dos seus filhos
Eu plantei mandioca
Formiga comeu
Plantei, plantei não planto mais
Preto velho cadê seu borna, digui, na cancela ficou lá
Ontem eu sonhei que estava na Bahia….
Baiana do candomblé……..
Cadê a rosa, rosa baiana….
Vamos à praia dendê, quero
Sai de babado pimenta da costa colares e guias
Ai como é lindo teu olhar
Ai como é lindo teu caminhar
Eu digo adeus
Está chegando a hora
Preto Velho se despede
E já vai embora

78- PONTO DE PRETO VELHO

Ai vovó eu tenho medo
Ai vovó eu tenho medo
Que a fumaça do cachimbo
descubra o meu segredo
Que a fumaça do cachimbo
descubra o meu segredo

79-PAI JOAQUIM

Meu senhor da Senzala, meu Senhorzinho
Ele vem Cansado, Meu Pai Joaquim
Um grito de Liberdade Negro ecoou,
Quando Oxalá chamou,
Recebeu toda Paz, pela Humanidade
Hoje ele nos traz A Caridade
Luanda, Ôh! Luanda,
Como é tão lindo
Pai Joaquim em nossa Banda
Ôh! Luanda

80-CAMBINDA

Vó Cambinda vem de longe
De tão longe, cansada de caminhar
Ela vem devagarzinho Sinhazia,
Quase que não pode andar
Vó Cambinda vem de longe
De tão longe, Mas até que aqui chegou
O seu corpo está marcado, coitadinha
Do chicote do sinhô
Seu caminho era de espinho
Só de espinho
Mas agora é só de flor
Mas, quanta dor, quanta tristeza
Que a velha traz no coração
Quando ainda ela se lembra
Do tempo da escravidão
Oh Deus lhe salve a estrela guia
Nos tempos da salvação
Isabel a redentora
Pôs a luz na escuridão

81-PAI JULIÃO

Pai Julião é tão pequenininho
Ninguém sabe a força que esse velho tem

82- PONTO DE PRETO VELHO

Adorei as almas
As Almas me atenderam
Eram as santas almas lá do cruzeiro

83- PONTO DE PRETO VELHO

As almas já acenderam o candieiro
Êeh lá no fundo mar

84-PAI GUINÉ

É o vento que balança a folha ô Guiné
Êeh Pai Guiné, é o vento que balança a folha

85- PONTO DE PRETO VELHO

Preto na senzala bateu sua caixa deu “Viva Nhanhá”
Preto na senzala bateu sua caixa deu “Viva Nhônhô”
“Viva Nhanhá”! “Viva Nhônhô”!
Viva Nossa Senhora, o cativeiro já acabou

86-CAMBINDA

Ecoou, um canto vindo de longe, ecoou
Um lindo dia uma luz no céu brilho
Sob a Estrela Guia, iluminada chegou
A preta velha de Aruanda, luz divina
Recebeu de Oxalá o nome Vovó Cambinda

87- PONTO DE PRETO VELHO

Auê meu cativeiro
Olha meu cativeiro
Meu cativerá
Auê meu cativeiro
Meu cativeiro
Meu cativerá
Preto velho tava cansado
Ia pra senzala batia o tambor
Preto velho dava viva a iaiá
Dava viva à sinhá
Dava viva ao senhor

88- PONTO DE PRETO VELHO

Preto Velho trabalha sentado
Se for preciso trabalha em pé
Mandinga de preto velho
É galho de arruda e folha de guiné

89-TIA MARIA

Foi numa noite de lua
Que eu vi Tia Maria chegar
Ela estava tão serena
Sentada em seu congá
Lere lere
Ela vem nos saravá
Lere lere
Pra seus filhos abençoar

90-TIA MARIA

Quando o galo canta
As almas se levantam
E o mar recua
Os anjos do céu dizem amém
Tia Maria diz aleluia
Diz aleluia, diz aleluia
Tia Maria diz aleluia

91- PONTO DE PRETO VELHO

Galo cantou
E eu vi uma coral piar
Segura pemba, passa a mão na ferramenta
Pra salvar povo de Umbanda
E vamos trabalhar
Tira daqui, meus infio
Tira de lá
No congá olha a pemba de pai Oxalá

92-VOVÓ CAMBINDA

Vovó Cambinda mandou
Apanhar o seu foité
Ela quer um poquinho de vinho
Seu cachimbo com fumo, arruda e guiné
Eu pergunto à Vovó
É pra fazer mironga?
Eu pergunto à Vovó
É pra demandar ?
Quem pergunta quer saber
Eu não sei se a Vovó vai dizer