JOSÉ MANOEL ALVES E O HINO DA UMBANDA

Diamantino Fernandes Trindade

No primeiro volume do livro História da Umbanda no Brasil, escrevi sobre os aspectos históricos do Hino da Umbanda e sobre o autor de sua letra: João Manoel Alves.
Alguns registros, não comprovados, da época diziam que ele em busca da cura, para sua cegueira, foi procurar a ajuda do Caboclo das Sete Encruzilhadas. Não conseguindo a cura, por ser o seu problema de origem cármica, escreveu a letra do Hino da Umbanda para mostrar que poderia ver, a partir do seu contato com a Umbanda, o mundo e a religião de outra maneira. Até hoje ninguém comprovou esta história e, também as fotos que temos dele não mostram que ele era cego. Havendo a comprovação dessa história, faremos as devidas correções históricas.

José Manoel Alves, compositor e instrumentista nasceu em Tangil, Freguesia do Concelho de Monção situada no Minho, no norte de Portugal. Dos 12 aos 22 anos tocou clarineta na Banda Tangilense, em sua terra natal. Em 1929, veio para o Brasil, indo residir no interior do Estado de São Paulo. No mesmo ano, mudou-se para a capital paulista, ingressando na Banda da Força Pública, em que ocupou vários postos, aposentando-se como capitão. Foi autor de diversas músicas populares e pontos de Umbanda. O seu maior sucesso, em parceria com Mário Zan, foi o dobrado Quarto Centenário.

A maravilhosa letra do Hino da Umbanda, escrita por José Manoel Alves, foi musicada por Dalmo da Trindade Reis, maestro tenente do Grande Conjunto da Policia Militar do Rio de Janeiro.
No Segundo Congresso Nacional de Umbanda, em 1961 no Rio de Janeiro, a música foi oficialmente reconhecida como o Hino da Umbanda. Originalmente tinha como título: “Refletiu a Luz Divina”, sendo cantada nos Terreiros como um ponto comum.

Dirce Alves, na sua coluna Umbanda e Candomblé, publicada no Diário do Paraná, escreveu duas vezes sobre ele e sobre o Hino da Umbanda. Na primeira matéria, Dirce Alves ainda não conhecia a autoria do Hino.

HINO DA UMBANDA

Dirce Alves

Diário do Paraná, n. 5038, 25 de abril de 1972

O Hino da Umbanda, executado domingo pela primeira vez por uma banda de música, por ocasião do encerramento do I Congresso de Umbanda do Paraná, não tem autor conhecido. Antigo, o maestro da Banda da PMEP, capitão Acyr Tedeschi teve que se valer, para o arranjo, de um antigo disco 78 rotações.
Embora sua melodia seja conhecida por quase todos os que frequentam os trabalhos de terreiro do Brasil, a execução desse Hino por uma banda de música, não deixou de sensibilizar os quase cinco mil presentes ao Ginásio de Desportos do Tarumã, que aplaudiram a execução, de pé, enquanto cantavam a letra.
O Hino da Umbanda, composto de quatro estrofes com quatro versos cada, é uma composição poética denominada de Redondilha Maior (sete pés poéticos).

HINO DA UMBANDA

Dirce Alves

Diário do Paraná, n. 7027, 24 de outubro de 1978

Poucas pessoas sabem quem é José Manoel Alves. É compositor, clarinetista e já fez muita música. Está com 67 anos e começou a compor em 1938, quando lançou a marcha carnavalesca “Olha a Alva”. De lá até 1978 já se passaram 40 anos e 100 músicas populares foram gravadas.
Mas o grande sucesso de José Manoel Alves foi em 1954 quando gravou o Hino do IV Centenário de São Paulo, em parceria com Mario Zan, que vendeu dois milhões de discos. Em 1962 o segundo sucesso foi o Hino da Umbanda para o Segundo Congresso Nacional de Umbanda. Com o cantor Araripe Barbosa e a orquestra de Hélcio Alvares e o Coral de Eloá. José Manoel Alves lançava, em 1962, o hino que hoje é cantado por milhões de umbandistas em todo o Brasil.

Vejamos agora alguns dados colhidos no site http://www.dicionariompb.com.br

Sua primeira composição gravada foi “Olha a alva”, por Januário Pescuma e Arnaldo Pescuma com acompanhamento do Grupo X na RCA Victor. Em 1945, Osni Silva gravou na Continental, com acompanhamento da Banda da Força Pública de São Paulo, a marcha “Pela Pátria”, composta em parceria com Antônio Romeu. Citamos outras de suas composições: em 1957, realizou sua única gravação, acompanhado de sua Banda: gravou pela RCA Victor, de sua autoria, os dobrados “Craveiro Lopes” e “Domingo em festa”. No mesmo ano, Zaccarias e sua Orquestra gravaram dele e Mário Zan o dobrado “Quarto Centenário”, seu maior sucesso. Ao longo de sua carreira, compôs diversos pontos de Umbanda e pontos de terreiro, gravados por diversos intérpretes. Em 1961, Otávio de Barros gravou o ponto de terreiro “Saravá Banda”. Em 1962, a cantora Maria do Carmo gravou a curimba de Umbanda “Prece a Mamãe Oxum”. Outras melodias umbandistas foram compostas por ele: “Saravá Oxóssi”; “Saudação aos Orixás”; “Xangô rolou a pedra” e “Xangô, rei da pedreira”.

Na fotos a seguir não é possível garantir que José Manoel Alves era cego. Podia no máximo ter alguma deficiência visual. A primeira foto foi registrada no Primado Do Brasil. Apresentamos também a partitura do Hino escrita pelo Maestro Dalmo da Trindade Reis, em 1984.

46ª Festa Vamos Sarava Ogum

Publicado por Alex Andreotti em Quarta, 10 de maio de 2017

DEFUMAÇÃO: PROCEDIMENTOS, TIPOS E PROPÓSITOS

INTRODUÇÃO

A defumação é um ritual muito frequente em casas de Umbanda e Candomblé. Na Umbanda ela foi trazida pelo caboclo das sete encruzilhadas quando fundou a religião e segue até hoje em quase 100% dos terreiros, todavia, a defumação é utilizada antes mesmo da criação da Umbanda, não é algo criada por ela, mas ela considera este fundamento em sua doutrina.

A defumação pode ser usada em diversas ocasiões: abertura e fechamento de giras, limpeza de residência e imóveis comerciais, limpeza de pessoas, etc.

OBJETIVO DA DEFUMAÇÃO

A defumação pode ter vários objetivos, entre eles: limpeza física e espiritual, limpeza de ambientes, prosperidade, proteção, descarrego de fluidos espirituais negativos, fortalecimento, etc.

QUEM PODE FAZER A DEFUMAÇÃO?

Embora qualquer pessoa possa fazer uma defumação, nos terreiros geralmente isso é feito pelos dirigentes ou médium a cargo dos mesmos, alguém destinado a este rito. Costumamos dizer que Deus nos fez imagem e semelhança dele, então o que dá poder a uma defumação não é o cargo que ela tem, mas o fundamento, a fé a o conhecimento sobre o preparo, ou seja, é questionável a ideia de que apenas um dirigente de santo pode fazer uma defumação.

DEFUMAÇÃO NO TERREIRO

A defumação nos terreiros geralmente é feira através do “Turíbulo” (objeto prateado acima). Nele colocamos carvão e algum elemento combustor (álcool, óleo, papel, etc), uma vez que estiver acesso, começa o rito de defumação.

A defumação é feita com uma combinação de ervas específicas de acordo com o objetivo proposto. Quando ela é feita na Umbanda, geralmente acompanham-se pontos cantados de defumação. Cada casa pode estabelecer uma ordem para iniciar a defumação. Geralmente defumamos o Congá, os cantos, o centro, os médiuns, os atabaques e a assistência. Na dúvida sobre como proceder com a defumação no seu terreiro, procure o seu pai de santo ou orientação do seu guia espiritual.

EXEMPLOS DE ERVAS E MISTURAS PARA DEFUMAÇÃO

Cada casa tem a sua doutrina e cada guia espiritual o seu mistério, na dúvida sobre algum procedimento, sempre procure o pai de santo de sua confiança. Abaixo alguns exemplos de ervas e elementos que podem ser usadas isoladamente ou em conjunto para defumação:

Sal grosso: Descarrego.
Arruda: Descarrego, proteção.
Mirra: Atrai contato com bons espíritos, fortalece a humildade.
Alecrim: Atrai bons sentimentos, cria atmosfera positiva.
Alfazema: Equilibra o ambiente.
Café (Grãos, folhas secas, pó, etc): Atrai força e resistência.
Canela e Cravo da índia: Atrai a prosperidade, aumenta o magnetismo pessoal, a autoestima, etc.
Guiné: Proteção e energização.
Pó de dandá da costa e anis estrelado: Aumenta a intuição.
Beijoim: Aumenta a espiritualidade, a intuição, cria uma atmosfera propícia a trabalhos espirituais.

DEFUMAÇÃO EM CUBO

A defumação em cubo é aquela que já vem com as ervas trituradas e acopladas em forma de cubo. Ela não é indicada para substituir uma defumação tradicional em turíbulo uma vez que não sabemos a procedência do que de fato contém os cubos. Não sabemos por exemplo que ervas e elementos foram usados para o que se propõe nos rótulos. Em todo caso, como o poder do objeto espiritual leva em consideração a força da consagração, em muitas emergências eu mesmo só tinha a mãos este tipo de defumador. Ele é mais indicado para atuar como uma espécie de “incenso” de longa duração.

DEFUMAÇÃO EM CASA

É muito indicado de tempos em tempos fazermos uma defumação em casa. Seja para limpeza, proteção ou descarrego. Geralmente fazemos de dentro para fora (para limpeza) e de fora para dentro (quando o objetivo for trazer prosperidade por exemplo). Preces, pontos cantados podem ser inclusos para potencializar o rito.

DEFUMAÇÃO EM IMÓVEL COMERCIAL

A defumação em imóvel comercial geralmente é feita para atrair clientes, afastar inveja e olho gordo. Tal como na defumação doméstica e do lar, se o objetivo for limpeza, fazemos de dentro para fora. Já se o objetivo for atrair alguma coisa, fazemos de fora para dentro. Dependendo da gravidade do caso, tanto na defumação do terreiro, quanto das casas quanto dos comércios, podem haver solicitações de sacudimento de ervas, mas este é um assunto que trataremos em outro texto.

PONTOS DE DEFUMAÇÃO

Ogum mandou defumar,
Ogum mandou defumar,
Ogum mandou defumar,
Filhos de fé vamos defumar

Ogum mandou defumar,
Ogum mandou defumar,
Ogum mandou defumar,
Filhos de fé vamos defumar

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Ele é rezador, ele vai defumar
Ele reza seus filhos e o mau vai levar

Ele é rezador, ele vai defumar
Ele reza seus filhos e o mau vai levar

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Defuma com as ervas da Jurema
Defuma com Arruda e Guiné,
Com Beijoim, Alecrim e Alfazema
Vamos defumar filhos de fé.

Defuma com as ervas da Jurema
Defuma com Arruda e Guiné,
Com Beijoim, Alecrim e Alfazema
Vamos defumar filhos de fé.

OUTROS PONTOS

1. PONTO DE FIRMEZA PAI DE CABEÇA

Sarava, sarava, sarava
Esses filhos de pemba
Que fica de pé no congá
Sarava, sarava Oxalá
Se ele é pai de cabeça
Não deixa seus filhos tomba
Lua, oh lua
Ilumina o terreiro
Que o pai de cabeça chegou
Lua, oh lua
Que já deu minha hora
Meu galo de pemba cantou

2. PONTO DE FIRMAÇÃO DE TERREIRO

Essa casa tem quatro cantos
Cada canto tem seu santo
Onde mora o cálice bento
E o divino espírito santo
Zum, zum, zum
Olha lá Jesus quem é
Eu juro por Deus e as almas
Inimigo cai, eu fico em pé

3. PONTO DE ABERTURA

Vou abrir minha jurema
Vou abrir meu Juremá
Santo Antonio é de Ouro Fino
Arreia a bandeira e vamos trabalhar